População de Barão de Cocais adoece com o risco iminente de rompimento de barragem

Ansiedade, angústia, depressão e estresse. São esses os diagnósticos que mais preocupam hoje as autoridades de saúde do município de Barão de Cocais (MG). Desde o mês de fevereiro, quando a população foi alertada pela mineradora Vale da possibilidade de rompimento de uma barragem de armazenamento de rejeitos, a tranquilidade do município de 32 mil habitantes desapareceu. E com agravantes, porque a situação de pânico na qual a população está submetida ainda não tem data para acabar. Ao contrário, aumenta a cada dia, com o risco iminente da queda do talude da barragem Sul Superior, da Mina Gongo Soco. Se continuar se movimentando e cair, a cidade se dividiria ao meio e seria coberta por um mar de lama, semelhante ao que devastou Mariana e Brumadinho.

Neste mês, dedicado à campanha do Setembro Amarelo, voltada à necessidade de discutir, refletir e criar maneiras de evitar o suicídio, o deputado Júlio Delgado (PSB) está demonstrando, através dos seus canais de interação com o eleitor, como a exploração irresponsável do minério de ferro causa dor a uma parcela da população de Minas Gerais.

LEIA TAMBÉM

Barão de Cocais vive uma situação singular, pois a cidade não foi afetada iminentemente por um acidente envolvendo rompimento de barragem de armazenamento de rejeitos, como em Mariana e Brumadinho. Mas sim convive com a apreensão causada por esta possibilidade. E se por um lado isso permite as autoridades se prepararem para o pior, por outro provoca sentimento constante de impotência na população.

E as consequências já começam a surgir. Os atendimentos de saúde mental do município cresceram 50% desde janeiro, com impactos significativos, ainda, no atendimento ambulatório e no hospital do município. A realidade é tão preocupante que a demanda anterior da cidade na saúde mental, era suprida por dois assistentes sociais, dois psicólogos e dois enfermeiros. Atualmente, a Prefeitura pleiteia, junto à mineradora Vale, através de tratativas com o Ministério Público de Minas Gerais, a contratação de 100, sendo pelo menos 15 psicólogos.

Em maio, CPI de Brumadinho promoveu audiência pública em Barão de Cocais

“Recentemente conseguimos, através deste acordo inicial, 28 profissionais, que se dividirão também com a pasta da Assistência Social. Hoje tenho cinco psicólogos e um psiquiatra, o que é pouco, mas já ajuda a população a entender o drama e evitar assim que eles fiquem mais doentes, necessitando de medicamentos. É uma angústia que não afeta somente os diretamente atingidos pela provável queda do talude, mas a população como um todo. Todos conhecem ou convivem com alguém que perderia tudo e ficaria com a vida em risco se o pior acontecesse”, explicou a secretária de Saúde de Barão de Cocais, Joseane Batista.

E justamente a expectativa pelo pior o sentimento que move a cidade desde o início do ano. E esta situação, além de impactar a saúde mental, também causa efeitos físicos aos moradores. Muitos, por exemplo, têm agravados os sintomas de outras doenças físicas, como é o caso da hipertensão. Por este motivo, o hospital de 32 leitos também opera com 50% da demanda maior que a observada até o ano passado.

CPI de Brumadinho

Júlio Delgado (PSB) sobrevoou a Mina do Gogo Soco no mês de maio, quando as autoridades já alertavam para os riscos de rompimento do talude em razão do deslocamento da estrutura. No mesmo mês, ele, como presidente da CPI de Brumadinho, promoveu uma audiência pública na Câmara Municipal da cidade e incorporou demandas específicas do município no relatório da comissão, que está em fase de finalização. Para ele, a realidade de Barão de Cocais prova que as empresas mineradoras devem ser responsáveis, não somente no caso de um rompimento, mas também de forma antecipada, se comprometendo a cuidar de todos os processos para dar tranquilidade aos moradores direto e indiretamente atingidos pela atividade de exploração mineral.