O descaso com o patrimônio de Congonhas

Ontem, terça-feira (17/12), uma das maiores joias de Minas Gerais, a cidade de Congonhas, completou 81 anos. Data que nos provoca imensa alegria, não fosse toda preocupação e sofrimento vividos pelos moradores dos bairros do Cristo Rei e do Residencial Gualter Monteiro, localizados às margens da barragem de Casa de Pedra, de responsabilidade da mineradora CSN.

Esta estrutura de armazenamento de rejeitos de minério é uma das maiores do Estado e permanece em alerta máximo de rompimento. Uma tragédia anunciada. No fim de novembro, um tremor de terra de magnitude 3,2 na Escala Richter assustou a população, fazendo com que muitos saíssem de casa às pressas pensando ser o provável rompimento. A Agência Nacional de Mineração (ANM) vistoriou essa e outras barragens da região e afirmou não ter encontrado nenhuma anomalia.

Por fim, gostaria de compartilhar outra profunda tristeza. Me dói na alma ver o descaso com o complexo do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, onde nosso artista Aleijadinho, mestre do barroco, esculpiu em pedra-sabão as famosas imagens de doze profetas em tamanho real que são visitadas anualmente por milhares de turistas do Brasil e do mundo.

As peças estão se acabando pela falta de cuidados com a manutenção adequada e de projetos de restauração (incluindo as obras esculpidas em cedro que estão nas seis capelas que compõem o Jardim dos Passos, em frente à basílica, representando a via Sacra). Em 1985, todo este conjunto foi tombado pela UNESCO e transformado em patrimônio cultural da humanidade.

Já havia denunciado o caso quando estive pela última vez na cidade, em junho. Até sugeri que a CSN, por livre iniciativa, encabeçasse um projeto para cuidar desse nosso patrimônio mineiro, uma vez que já usufruiu de tantas riquezas daquela terra. A nova denúncia, sobre a situação dos profetas e todo o conjunto, chega ao meu Gabinete pelo amigo Sandoval Fillho, morador da cidade e combatente aguerrido das causas locais.

Já solicitei à minha assessoria a tomada de providências junto ao IPHAN e tenho discutido com alguns conhecidos como podemos agir, de fato, para não perdermos esse patrimônio tão caro aos mineiros e ao povo brasileiro.

Aos amigos de Congonhas, meus votos de boas festas neste fim de ano conturbado. E tenham a certeza de que, como cidadão de Minas e deputado federal pelo Estado, me sinto no dever de continuar trabalhando para que as mineradoras tenham mais respeito e responsabilidade com os mineiros. E para cuidar de nosso Estado, tão lindo, rico e acolhedor.

Grande abraço,

Júlio Delgado
(PSB/MG)