Fazer diferente é possível

A terceira lei de Newton nos ensina, nos primeiros anos da escola, que para toda ação existe uma reação. Só que esta não é uma afirmação que podemos atribuir somente para a Física, mas sim um entendimento que também deve servir às questões sociais.

O crimes ocorridos em Mariana (2015) e agora, em Brumadinho, são provas disso. Fizeram com que as mineradoras reagissem às próprias irresponsabilidades, não de forma preventiva. É o que confirmamos após a morte de quase 300 pessoas, incontáveis animais e da devastação de toda uma cadeia ambiental que estava em equilíbrio.

Ação e reação são também comportamentos cotidianos na política. Quando aconteceu o crime de Mariana, o conjunto dos parlamentares reagiu ao fato sem, naquele momento, tomar providências mais efetivas, pois entendeu que aquele era um caso isolado e não necessitava de mudanças mais drásticas.

Com Brumadinho, foi diferente. A dimensão trágica do desastre comoveu o país e reforçou no Congresso Nacional o entendimento de que algo mais grave poderia acontecer. E que caberia a nós, políticos, interferir e mudar a dinâmica de décadas de subserviência do Brasil à ação predatória da indústria minerária.

Me candidatei à presidência da CPI de Brumadinho porque enxerguei, ali, a possibilidade de mudar não somente o presente, como também o futuro daqueles que vivem ou dependem, direta ou indiretamente, da mineração. E assim temos tocado os trabalhos desde o início das atividades da Comissão.

Na segunda-feira (01/07), a CPI de Brumadinho realizou mais uma reunião externa, agora na cidade de Congonhas, na Câmara Municipal da cidade. Lá, os moradores de bairros como Cristo Rei e Gualter Monteiro podem ser atingidos por lama de rejeito em até 30 segundos caso rompa a barragem de Casa de Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN.

Jamais compreenderemos a angústia de conviver diariamente com a morte rondando suas casas, famílias, vida. Apenas quem está nessa situação sabe o que significa esse sofrimento. Contudo, diferentemente da Vale e da Samarco, responsáveis pelas tragédias de Brumadinho e Mariana, a CSN tem a oportunidade de dar um bom exemplo.

Disse issodurante a reunião: a mineradora precisa trabalhar de maneira antecipada e afastar o risco de rompimento de Casa de Pedra; acolher e realocar as famílias prejudicadas pela ameaça de rompimento da barragem; dar agilidade no pagamento das indenizações pela desvalorização dos imóveis… Estas e muitas outras ações saem muito mais baratas do que encarar a responsabilidade legal, moral e ambiental de responder por uma tragédia.

Provoquei a empresa: “nos surpreenda, CSN”! Faça com que desta vez, ação e reação aconteçam em nome do bem, sem que lágrimas precisem ser enxugadas. Tenho esperança.