Diretas já

“Ontem, eu estava em frente ao Palácio do Planalto, onde o povo pedia Diretas Já e investigação. Eu havia acabado de sair de uma reunião com vários deputados de todos os partidos, que pedem o afastamento imediato do presidente, e a sua renúncia para que a gente possa ter clareza nas investigações. É uma vergonha um presidente querer obstruir a justiça. É vergonhoso o Brasil estar neste momento em que poderíamos ter outro direcionamento. Sabemos que estão usando as Reformas Trabalhistas e Previdenciária para penalizar, ainda mais, o cidadão e, neste momento, fazer com que não possamos ter as reformas necessárias. Devemos ter o direito de votar e escolher o novo presidente. Perdemos a legitimidade com o Temer, ele não é legítimo, e é de extrema importância estamos atentos a isso.

Estamos fazendo vigília na Câmara, vamos entrar com pedido de impeachment, afastamento do Supremo, ação inominada, eleições diretas e, neste momento, pedir ainda mais força nas investigações de deputados envolvidos nesse escândalo, que agora envolve, diretamente, o presidente. Vamos, também, ao Supremo pedir a celeridade do TSE na questão que julga a chapa Dilma/Temer, marcada para o dia 6 de junho. O Brasil não pode ficar parado esperando até essa data, aguardando uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral, sendo que a chapa pode acabar de uma vez por todas.

Os deputados da Câmara e do Senado não têm condições de assumir a Presidência por um período integral através de eleições indiretas. Por isso, também, estamos entrando com o pedido da PEC das Eleições Diretas para que possamos ter as eleições no Brasil e votar, fazer com que o povo participe desse processo de legitimar um presidente, que possa dar dignidade e levantar a responsabilidade que temos com o nosso país.

Há uma grande instabilidade que foi causada, inclusive, pelos meios de comunicação, que estavam a favor das propostas e do presidente Temer, mas que, agora, se assustaram com o que está acontecendo. Isso demonstra claramente que o presidente quis usar o trabalhador e o aposentado para explorar a votação das reformas do Ajuste Fiscal. Ele utilizava como subterfúgio empresas que pagavam propina a deputados e senadores para continuar com os crimes.

Temos que rejeitar esse tipo de ação no momento de investigação à Lava Jato. Os delatores da JBS, que pedimos uma CPI, nomeada Carne Fraca, sabiam do envolvimento disso tudo e, eles vão ser chamados na Câmara para responderem pelos seus crimes. Temos que acelerar esse processo, o Brasil não pode parar e esperar que essas pessoas continuem conduzindo o futuro do nosso país. Não é digno, não é ético, não é correto e não é moral. É isso que vamos defender em vários partidos, com mais de 150 deputados que já estão mobilizados. O PSB tem que ter postura nesse governo e entregar o seu ministério e seus cargos por questão ética da história do nosso partido.”

 

Júlio Delgado