CPI ouve população de Congonhas durante audiência pública

A CPI de Brumadinho promoveu, na manhã desta segunda-feira (1/07), mais uma reunião externa da Comissão. Desta vez, para Congonhas-MG, município cerca de 80 quilômetros da capital, Belo Horizonte, onde a comunidade convive com a preocupação do possível rompimento da barragem de Casa de Pedra, sob responsabilidade da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

A situação em Congonhas ganhou destaque após os crimes de Mariana e Brumadinho, pois a população percebeu que após um provável rompimento da barragem, as primeiras construções seriam atingidas em cerca de 30 segundos, sem qualquer possibilidade de salvamento para a comunidade nos arredores. Estes são casos dos moradores dos bairros Cristo Rei e Residencial Gualter Monteiro, vizinhos à Casa de Pedra, que armazena aproximadamente 75 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro.

Para ter ideia do tamanho da devastação que um acidente em Congonhas poderia causar, a mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho, que deixou mais de 246 pessoas mortas e 24 desaparecidos, possuía menos de 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

A CSN esteve presente na reunião e se comprometeu a promover a descontinuidade gradativa da barragem, em até 15 anos. Para os moradores, entretanto, esta medida não é suficiente.

Entre as queixas, está a da segurança atual da estrutura, além das perdas financeiras já causadas pelo temor de algum acidente – como no caso dos imóveis, por exemplo. Os proprietários perderam seus inquilinos e tiveram grande queda no valor de mercado das moradias.

“Esta audiência pública, assim como a que fizemos em Barão de Cocais, é importante para munir a CPI de informações. Para que possamos cobrar medidas das empresas e aperfeiçoar a legislação que rege a exploração de minério em nosso país”, disse o deputado federal Júlio Delgado (PSB/MG), presidente da CPI.

Durante a reunião, alguns dados foram apresentados. Entre eles, o lucro líquido da CSN em 2018, que chegou a quase R$ 7 bilhões de reais. Na avaliação do presidente, isso prova como a segurança é negligenciada pelas mineradoras. Afinal, não faltaria dinheiro para fazer a atividade segura, com o menor impacto possível à população que vive no entorno.

Durante a audiência pública, Júlio fez um apelo: “Vocês (CSN) deveriam ter bom senso com a comunidade. A Fundação Renova, criada pela Vale para atender as vítimas de Mariana, já precisou gastar mais de R$ 3 bilhões na recuperação da bacia do Rio Doce. Além disso, estão com R$ 1,6 bilhão retidos na Justiça, sem contar o que já foi gasto com indenizações e ressarcimentos. Pergunto aos senhores: vale a pena passar por isso, sendo que o investimento com segurança, hoje, sai muito mais barato? Vocês terão lucro do mesmo jeito, mas sem esta dor de cabeça.”

A CPI de Brumadinho retorna a Brasília ainda esta semana, onde estão programados novos encontros dos membros que colaboram com as investigações da situação das barragens de minério no país.