Como as fake news influenciaram as eleições?

Durante a campanha eleitoral, o deputado Júlio Delgado (PSB) não ignorou as fake news que tratavam sobre ele. Para tanto, uma ação foi aberta para que a operadora Vivo identificasse o autor das postagens mentirosas no WhatsApp. O conteúdo incluía matérias e delações que não foram homologadas pela justiça, sem qualquer tipo de culpabilidade, com o objetivo de denegrir a imagem do político. A liminar foi deferida pelo judiciário, e a quebra do sigilo telefônico dos responsáveis é o próximo passo.

Uma ferramenta que ajuda os cidadãos a conhecerem mais os políticos e a analisarem o teor das informações duvidosas é o aplicativo Detector de Corrupto. Gratuito e apartidário, o recurso exibe os processos relativos a políticos que ocupam ou ocuparam cargos eletivos nos últimos oito anos.

Ao buscar o nome de Júlio Delgado no aplicativo, é possível conferir que não consta qualquer processo de corrupção ou improbidade administrativa envolvendo o deputado. Apesar de muita gente ter sido vítima da divulgação de mentiras, isso não impediu que alguns candidatos sérios e comprometidos com o bem-estar da população, como ele, ocupassem os cargos representativos a que se propuseram.

Fake news pelo mundo

A expressão fake news é utilizada para designar notícias falsas com o objetivo de enganar eleitores. Em 2017, esse conceito foi muito empregado na internet e impactou               as eleições presidenciais americanas e também os pleitos de dois de nossos vizinhos: Argentina e Colômbia. No cenário brasileiro, o efeito das mentiras divulgadas no período eleitoral não foi muito diverso do que nas demais partes do continente.

Somente no ano passado, cerca de 12 milhões de pessoas compartilharam informações falsas na internet, segundo dados do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai), da Universidade de São Paulo (USP).

O fato de redes privadas, como o WhatsApp, terem sido exploradas para difundir mentiras representou um empecilho para que as autoridades conseguissem acessar e investigar as informações. Como resultado, enfrentamos algo sem precedentes no cenário político. É lamentável que o discurso do ódio e também da violência tenham conseguido marcar presença no imaginário dos brasileiros.

Infelizmente, esse tipo de conteúdo teve um alcance muitas vezes maior dos que as informações de fontes reconhecidas e confiáveis. As mídias sociais constituem o palco perfeito para que pessoas mal-intencionadas e sem o compromisso com a verdade espalhem boatos, promessas e inverdades, a fim de ganharem a preferência do público para determinado candidato, ao mesmo tempo em que provocam a antipatia dele em relação a outro.

Nossa cultura imediatista estimula os cidadãos a consumirem uma grande quantidade de informações rapidamente. Em contrapartida, o poder de crítica e reflexão acaba, por vezes, sendo deixado de lado para separar o joio do trigo.

Situação alarmante

Alguns empresários aproveitaram a situação e resolveram investir milhões em instituições especializadas em disparar fake news a favor de determinado candidato. A prática consistiu na publicação em massa de conteúdos falsos para a base de usuários do político ou outras fontes de dados vendidas por agências de estratégia digital — o que é totalmente ilegal, já que a legislação eleitoral só permite o uso de uma base de contatos, os quais foram cedidos voluntariamente.

O abuso de poder econômico e as doações financeiras não declaradas na campanha também são ações vedadas pela justiça. É preciso esperar que a coleta de provas e o processo de investigação tragam resultados conclusivos sobre as irregularidades.

Outro fato que deixou a situação mais alarmante foi o teor absurdo que algumas notícias traziam. Um exemplo foi a distribuição de mamadeiras eróticas nas escolas pelo candidato à presidência derrotado nas urnas. Os dados não vinham acompanhados de provas ou detalhes, mas, apesar disso, algumas pessoas sequer questionaram a veracidade dos fatos. Para não ser vítima de situações como essa, é preciso assumir uma postura reflexiva e pesquisar sobre os detalhes da notícia.

Agora que você já sabe como as fake news influenciaram as eleições, leia o nosso outro artigo sobre como identificá-las.