Brumadinho: dores e tristeza ainda afligem a vida da população

 A data 10 de setembro foi instituída como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo, a cada 40 segundos alguém tira a própria vida. No Brasil, as estatísticas da entidade indicam mais de 13 mil mortes desta natureza ao ano. No País, o mês foi definido como o período oficial de prevenção ao suicídio por meio das campanhas do Setembro Amarelo.

Para muitos, o tema ainda é tabu, como também falar de outros assuntos relacionados à saúde mental, tais como depressão, ansiedade e transtornos de humor. Já os especialistas defendem que falar dessas questões é fundamental para ajudar a reverter os casos e salvar vidas.

Desastres de grandes proporções também são considerados gatilho para o aparecimento de problemas dessa natureza. A cidade mineira de Brumadinho se tornou um exemplo. Desde janeiro de 2019, quando houve o rompimento da barragem B1 do Córrego do Feijão, da mineradora Vale, os serviços públicos da Saúde do município viram, da noite para o dia, o número de atendimentos ser multiplicado.

Além dos 248 mortos com a tragédia e dos 21 que estão desaparecidos, o estouro da barragem deixou diversas outras vítimas indiretas. Foram três suicídios consumados e outros 39 evitados, enquanto em 2018 ocorreram somente 30 tentativas no ano inteiro.

“Vemos o retrato disso nas Unidades de Saúde da cidade, que estão mais cheias. A baixa imunidade dos moradores tem elevado os casos de doenças respiratórias e de infecções, consequências do acidente ocorrido na B1”, informou o secretário de Saúde de Brumadinho, Junio Araújo.

Segundo o secretário, foi necessário triplicar a equipe de Saúde da Família e aumentar o fornecimento de remédios. No caso dos ansiolíticos, a demanda cresceu 80% em 2019, além de 70% nas prescrições de antidepressivos.
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) recebia, em média, 160 pacientes por dia, enquanto agora o volume subiu para 280. Nos postos médicos, de janeiro a abril foram contabilizados 21 mil atendimentos a mais do que no mesmo período do ano passado.

O fato já havia sido denunciado pelo deputado federal Júlio Delgado (PSB/MG), presidente da CPI de Brumadinho e relator da Comissão Externa de mesmo nome, ambas da Câmara Federal. Desde o início das atividades, os dois colegiados de parlamentares vêm exigindo dos governos Estadual e Federal providências para reforçar o atendimento médico local.

Recentemente, o deputado Júlio conseguiu encaminhar ao município uma emenda de R$ 200 mil para a Saúde, especificamente no custeio da Atenção Básica.