Artigo – Selo de caloteiro

O Brasil voltou a integrar a lista dos países com potencial para dar calote no mercado financeiro, segundo uma das principais agências internacionais de avaliação de risco. O rebaixamento anunciado esta semana pela Standard & Poor’s teve como principais causas o desajuste nas contas públicas e a pequena capacidade do governo para mudar o cenário, tanto no ambiente econômico quanto no político.

A mesma agência também cortou a nota de bons pagadores de várias empresas brasileiras, entre elas Petrobras e Eletrobras, os maiores bancos do país e grandes companhias privadas. Esse fato revela como a crise gerada no Estado brasileiro contaminou todo o setor produtivo nacional e transformou em fumaça o crescimento acumulado no início deste século.

Nos últimos sete anos figuramos entre as nações com grau de investimento elevado, mas o período de vacas gordas foi desperdiçado pela irresponsabilidade fiscal do governo Dilma Rousseff e por um plano de gestão focado exclusivamente em projetos eleitorais do PT. A redução da nota de crédito do país não chega a ser uma surpresa, mas ela veio antes do que se imaginava e representa um obstáculo significativo a mais para a superação da pior crise que enfrentamos em décadas.

Alguns dos possíveis efeitos dessa perda de reputação do país são a redução no nível de emprego, aumento dos preços, crédito mais caro e mais difícil para o próprio governo, empresas e cidadãos brasileiros. A recuperação da economia também será afetada e deve levar mais tempo para o país voltar a crescer.

Com o crédito mais caro, o governo e os empresários reduzem os investimentos, as pessoas compram menos e o desemprego aumenta. Esse é um ciclo difícil de ser quebrado. Para piorar um pouco o quadro, a falta de credibilidade da presidente reduz suas possibilidades de manobra na economia, enquanto a pressão da sociedade cresce rapidamente.

Nessa gangorra tensa, a equipe econômica precisa ser muito criativa e transparente para colher bons resultados. Sua missão deve ser pautada em recuperar a confiança da população com medidas racionais e concretas destinadas principalmente a eliminar os desperdícios e os supérfluos, exatamente como se faz na economia doméstica.

Assim como para qualquer trabalhador e trabalhadora que se encontra em situação delicada, a obrigação dos gestores responsáveis pela economia do Brasil é encontrar os gargalos, reconhecer os erros e sanear as contas. O que se espera é um corte drástico nos gastos da máquina pública, sinalizando uma preocupação efetiva do Planalto com seus custos de operação e com a eficiência administrativa.

Uma coisa é certa: qualquer alternativa adotada virá acompanhada de sofrimento, e a cada erro do governo, a dor e os prejuízos econômicos e sociais serão mais intensos. O momento exige austeridade, responsabilidade e transparência. Os interesses e necessidades de todos os brasileiros estão em jogo e devem ser considerados como prioridade.

Falando de maneira clara e objetiva, não há mais espaço para negligências na gestão dos recursos públicos. Ou o selo de caloteiro será o grande legado deixado pelo atual governo.

 

Júlio Delgado 12/09/2015