Artigo – #NO DIA 12 EU VOU

Depois de quase um ano de tramitação na Câmara dos Deputados, finalmente a cassação do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (PMDB-RJ) será votada em plenário na segunda-feira, dia 12. Ele e seus aliados usaram todas as artimanhas para adiar essa votação, mas esgotaram-se as possibilidades de manobras para evitar o julgamento.

O último cartucho usado foi o recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a suspensão do processo. O STF, no entanto, rejeitou o pedido na última quinta-feira.

O parlamentar alcança este momento crucial de sua vida pública com um currículo repleto de denúncias. Ele foi o primeiro presidente da história da Câmara dos Deputados a se tornar réu em processo criminal – até o momento são três –, é personagem frequente em inquéritos da Operação Lava Jato e citado por delatores de diversos esquemas sob investigação atualmente.

As desconfianças sobre Eduardo Cunha começaram quando ele ocupou o cargo de presidente da Telerj, antiga estatal de telefonia do Rio de Janeiro, entre 1992 e 1993. Foi indicado para a função depois de atuar como tesoureiro da campanha de Fernando Collor à presidência, em 1989.

Seu padrinho político foi Paulo César Farias, pivô do escândalo que resultou no impeachment de Collor. Exonerado por suspeita de envolvimento em esquema de corrupção comandado por PC Farias na empresa carioca, Cunha tornou-se réu em processo judicial. O caso foi arquivado.

De lá para cá, muitos outros esquemas ilegais foram associados ao nome do peemedebista. Chega a ser irônico que apesar de tantas evidências de participação em crimes, Cunha perca o mandato porque mentiu à Câmara ao afirmar que não tinha dinheiro em contas no exterior. Mas, indiscutivelmente, o Regimento da Casa precisa ser respeitado.

Além disso, a exclusão dessa figura do quadro político é um dever para os deputados. Cunha não apenas é personagem central na Lava Jato, como paralisa o Legislativo com suas chantagens e manobras. A Câmara precisa mostrar que está comprometida com o povo brasileiro. Por isso, no dia 12 eu vou votar pela cassação do parlamentar.

 

Júlio Delgado 10/09/2016