Artigo – Estados Falidos

O Tesouro Nacional divulgou um estudo esta semana sobre as contas públicas dos Estados. O resultado é estarrecedor e mostra o tamanho da crise econômica em marcha no país. Pelo menos cinco unidades da federação apresentam indicadores de desequilíbrio acentuado na gestão dos recursos e baixa capacidade para honrar seus compromissos financeiros. Além do Rio de Janeiro, que decretou estado de calamidade pública em função de sua grave crise financeira, as finanças de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Alagoas estão na penúria.

É importante destacar que os Estados mais ricos do Brasil são os que tiveram as piores avaliações no estudo, inclusive São Paulo, cuja nota é pouco superior à obtida pelo mais devastados economicamente. Os melhores indicadores foram registrados no Norte e Nordeste do país, mas mesmo nesses locais não há nada a comemorar. Todos enfrentam dificuldades históricas e, permanentemente, clamam por mais recursos federais para custear serviços públicos e realizar investimentos.

O caso mais desolador nessa lista é o do Rio de Janeiro. A euforia por sediar as Olimpíadas em agosto deste ano se transformou em pesadelo para os fluminenses. No decreto que anunciou o estado de calamidade, o governo local afirmou que não tem recursos para cumprir obrigações assumidas com o evento e que teme “total colapso na segurança pública, na saúde, na educação, na mobilidade e na gestão ambiental”. Ou seja, a cidade está muito próxima do caos.

O cenário diz muito, também, sobre o nível dos gestores públicos brasileiros em comparação com outros países. Esse campo dos jogos internacionais é um bom exemplo. As Olimpíadas de Inverno de 2022 serão realizadas em Pequim, na China. Na disputa para sediar o evento, a cidade superou Almaty, do Cazaquistão. Ainda Estocolmo (Suécia), Munique (Alemanha), Saint Moritz (Suíça) e Davos (Suíça) chegaram a se candidatar, mas desistiram no caminho por considerar que teriam outras prioridades onde aplicar seus recursos financeiros.

Isso mostra que o Rio e o Brasil foram vítimas do populismo. Governantes irresponsáveis que venderam ao povo a ilusão de que a Copa Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 eram símbolos do nosso desenvolvimento econômico e social. Ignoraram as nossas reais possibilidades de realizar acontecimentos desse porte.

Eventos esportivos à parte, situação similar de calamidade vive Minas Gerais. Ao longo dos últimos anos, o Estado abandonou praticamente todas as suas vocações econômicas, seja no turismo, na indústria ou na agricultura, para concentrar forças e expectativas na mineração. A estratégia funcionou enquanto durou o fôlego da China para importar matéria-prima a preços altos. Quando o país asiático freou seu crescimento, as vendas e o valor do minério despencaram no mercado internacional. Minas caiu junto.

A parceria PT/PMDB, que levou o Brasil para a beira do precipício com Dilma Rousseff na Presidência e Michel Temer como seu vice, fez estragos também em nosso Estado. Atolado em acusações criminais, o governador Fernando Pimentel (PT), parece mais preocupado em salvar sua própria pele e a de sua esposa, Carolina Oliveira. A gestão, de fato, está nas mãos do vice, Antônio Andrade (PMDB). De qualquer forma, o que acontece com a vida dos mineiros não é prioridade no momento.

A tragédia do rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, e a crise política brasileira também contribuíram para estrangular as finanças de Minas. No entanto, o verdadeiro responsável pelo desemprego crescente, inflação e pela péssima qualidade dos serviços públicos é a má gestão. A falência do Brasil é resultado de uma sequência de decisões equivocadas.

 

Júlio Delgado 25/06/2016